O Março Azul é uma campanha de conscientização dedicada à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer colorretal (câncer de intestino). Realizada anualmente durante o mês de março, tem como objetivo informar a população sobre a importância dos exames preventivos, os fatores de risco, os sintomas e as opções de tratamento disponíveis para esta doença. A escolha da cor azul simboliza o compromisso com a saúde e a vida, incentivando ações que promovam a conscientização sobre o câncer de intestino.
O Março Azul surgiu nos Estados Unidos, durante o governo do Bill Clinton, e aos poucos se difundiu para Canadá, Europa e outros países. No Brasil, por iniciativa das entidades médicas ligadas ao combate desse tipo de câncer (SOBED, SBCP e FBG), a campanha tomou corpo em 2020, com o intuito de aumentar a conscientização sobre o câncer colorretal. O formato adotado no Brasil foi inspirado em movimentos similares que dedicam um mês para a conscientização sobre diferentes tipos de câncer, como o Outubro Rosa (câncer de mama) e o Novembro Azul (câncer de próstata).
Capital da Chapada Diamantina, Seabra foi escolhida para receber a maior mobilização do Março Azul em 2026 por representar um território com grande potencial de impacto na saúde pública. O município dispõe de infraestrutura hospitalar para recepcionar cerca de 60 médicos, em unidade que propicie utilizar seis salas de exames, suporte de anestesiologia, centro cirúrgico e terapia intensiva.
Além disso, a cidade permite a organização da campanha acompanhar os resultados do projeto, que envolve tanto a realização dos exames quanto a conscientização da população. Outro fator importante é o compromisso da administração pública de Seabra em dar continuidade aos exames especializados e do rastreamento do câncer colorretal após a conclusão da ação do Março Azul. Expedições semelhantes aconteceram nas edições anteriores da campanha, em Piranhas (AL), Pilar (AL), Belterra (PA), Cairu (BA) e Óbidos (PA), onde as organizações uniram esforços para superar as barreiras e promover a saúde local.
É um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso, também chamado de cólon e reto. Ele quase sempre se desenvolve a partir de pólipos, lesões benignas que crescem na parede do intestino.
Embora muitos casos não tenham uma causa específica, fatores de risco incluem excesso de gordura corporal, consumo elevado de carnes vermelhas e processadas, baixa ingestão de fibras, tabagismo, e consumo de álcool. Histórico pessoal ou familiar de pólipos, doenças inflamatórias intestinais ou câncer de intestino também aumentam o risco.
Os sintomas incluem sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal, dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia, perda de peso sem causa aparente, alteração na forma das fezes e presença de massa abdominal. É importante investigar esses sintomas com um médico.
Prevenção envolve prática de atividade física, limitar consumo de carnes processadas e vermelhas, priorizar alimentos vegetais na dieta, não fumar e evitar bebidas alcoólicas. Exames de rastreamento, como o teste de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, são recomendados para pessoas entre 50 e 75 anos.
Exames como o teste de sangue oculto nas fezes podem detectar sangramentos não visíveis causados por pólipos ou tumores. Alterações nesse teste indicam a necessidade de uma colonoscopia, que pode diagnosticar e até tratar lesões precocemente, prevenindo o desenvolvimento do câncer.
O câncer de cólon e reto ocupam a terceira posição entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil, tanto entre os homens quanto em mulheres, atrás do câncer de próstata e de mama feminina, respectivamente. O número estimado de casos novos de câncer de cólon e reto (ou câncer de intestino) para o Brasil, para cada ano do triênio de 2023 a 2025, é de 45.630 casos (21.970 homens e 23.660 mulheres), segundo o INCA. Número de mortes: 21.262 (10.662 homens e 10.598 mulheres) em 2021, de acordo com o Atlas de Mortalidade por Câncer.
A detecção precoce pode ser realizada por meio de exames de sangue oculto nas fezes em pessoas assintomáticas acima de 50 anos. Se positivo, é indicada a realização de exames como a colonoscopia, para visualizar o interior do intestino e, se necessário, remover pólipos antes que se transformem em câncer.
O diagnóstico é confirmado por meio de biópsia, na qual um pequeno pedaço de tecido suspeito é retirado e analisado. A amostra geralmente é coletada durante um exame endoscópico.
O tratamento principal é a cirurgia para remover a parte afetada do intestino e os gânglios linfáticos próximos. Dependendo do estágio do câncer, pode ser necessário complementar com radioterapia e/ou quimioterapia para reduzir o risco de recidiva.
Após o tratamento, o acompanhamento médico é crucial para monitorar possíveis recidivas ou o surgimento de novos tumores. Isso inclui consultas regulares, exames de sangue para marcadores tumorais, colonoscopia e exames de imagem.